Um vídeo de campanha eleitoral gravado nas proximidades do Morro Dona Edith, bairro Velha Grande em Blumenau, desencadeou uma onda de reações nas redes sociais, envolvendo moradores e membros das forças de segurança. A gravação, publicada pelo candidato a deputado federal Felipe Barcellos e pelo candidato ao Senado Tulio Pfuetznreiter, aborda temas como segurança pública e tráfico de drogas na região. A polêmica surgiu a partir de alegações feitas no vídeo que foram diretamente refutadas por quem conhece a realidade local e por profissionais da polícia.

Os candidatos apresentaram o Morro Dona Edith como um dos principais redutos do tráfico em Blumenau, com um suposto aumento anual da atividade. Eles mencionaram denúncias recebidas de seguidores como motivação para a gravação e afirmaram a existência de barricadas, com a alegação chocante de que crianças estariam participando delas armadas. No entanto, a reportagem aponta que um dos casos utilizados como argumento pelos candidatos, que supostamente envolvia a apreensão de mais de 25 armas de fogo e R$ 1 milhão em movimentações suspeitas, não ocorreu no Morro Dona Edith.

Integrantes das forças de segurança reagiram prontamente às declarações. Um sargento da Polícia Militar de Blumenau classificou o vídeo como "bem exagerado" e "sensacionalista", negando a ocorrência de barricadas e afirmando que a presença de armas de fogo é uma exceção, não a rotina. Um policial civil da Divisão de Investigação Criminal (DIC), que atuou em operações na área, também desmentiu a existência de barricadas e criticou as afirmações, ressaltando a forte atuação do tráfico, mas contestando a descrição da dinâmica apresentada pelos candidatos. Ele também mencionou que o atual prefeito, Egidio Ferrari, atuava como delegado em operações passadas na região.

O conteúdo do vídeo também incluiu críticas ao prefeito de Blumenau e declarações contundentes sobre segurança pública. Felipe Barcellos chegou a sugerir a necessidade de "controle migratório" e que indivíduos indesejados sejam "presos ou mortos pela Polícia Militar", misturando questões de circulação territorial com atuação policial. A reportagem também levantou a questão do uso de imagens e marcas de veículos de comunicação no material eleitoral sem a devida autorização, adicionando mais um ponto de controvérsia à divulgação.