Estudo mostra que quase 40% dos casos de câncer registrados no mundo poderiam ser evitados com a redução de fatores de risco

Eventos climáticos extremos, como inundações, ondas de calor, secas severas, frio extremo e furacões, vêm sendo registrados em todo o mundo. Reflexos do aquecimento global, provocado por desmatamento, mudança no uso do solo e aumento dos gases de efeito estufa gerados pela queima de combustíveis fósseis, ameaçam não só o meio ambiente, mas também a saúde humana.

Segundo a Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco), um dos efeitos das mudanças climáticas é o aumento do risco de câncer, doença que pode requerer, de acordo com o estágio, tratamentos como quimioterapia, radioterapia com intensidade modulada, intervenção cirúrgica, entre outros.

Estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) revela que quase 40% dos casos de câncer registrados no mundo poderiam ser evitados com a redução de fatores de risco já conhecidos, como poluição do ar, exposição excessiva ao sol, tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso e infecções.

O aquecimento global aumenta o risco de diversos cânceres, principalmente o câncer de pele, como o melanoma, o carcinoma basocelular e o espinocelular. A explicação está na alteração da camada de ozônio e no aumento dos raios ultravioletas.

“Estudiosos do tema calculam que, a cada 1% de redução da espessura da camada de ozônio, a incidência de melanoma cresce de 1% a 2%”, revela o médico oncologista da Oncologia D’Or e pesquisador do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, Daniel Musse Gomes.

Segundo ele, embora some apenas 3% dos casos de câncer de pele no Brasil, o melanoma é o tumor mais preocupante devido à capacidade de metástase. Em estágios iniciais, é tratado por meio de cirurgia, mas, quando a doença já avançou, requer tratamento de imunoterapia ou terapia-alvo.

O câncer de pulmão também pode ser resultado de mudanças climáticas devido à poluição do ar e à fumaça que resultam de incêndios florestais, disseminando, na atmosfera, poluentes como óxido de nitrogênio, monóxido de carbono, hidrocarbonetos e material particulado, além de substâncias altamente tóxicas. Estudo publicado na plataforma PubMed mostra que os poluentes respondem por cerca de 14% dos casos de câncer de pulmão em todo o mundo.

No caso de tumores primários de pulmão, assim como metástases oriundas dessa região, o tratamento indicado pode ser a ablação. A exemplo da ablação de fibrilação atrial, o tratamento com foco nos pulmões também é considerado minimamente invasivo.

A poluição e as substâncias tóxicas também apresentam potenciais ligações com câncer de fígado, colorretal e de bexiga, devido à contaminação de alimentos e água. Partículas poluentes seriam fator de risco, ainda, para o câncer de cabeça e pescoço. De acordo com estudo publicado pela revista Nature, nesse caso, o risco é potencializado se o período de exposição às toxinas for superior a cinco anos.

A poluição também tem grande impacto sobre o câncer de mama. Estudo realizado pelo Departamento de Prevenção do Câncer e Meio Ambiente, do Léon Bérard Comprehensive Cancer Centre, revela que o risco de câncer de mama é 28% maior em locais com níveis elevados de partículas finas.

O levantamento comparou a exposição à poluição de 2.419 mulheres com diagnóstico de câncer de mama e 2.984 mulheres sem histórico da doença. A conclusão foi de que mulheres expostas a partículas maiores apresentaram riscos menores à doença.