No início de 1990, um encontro de bastidores na política catarinense selou um momento de diálogo entre figuras que viriam a moldar o futuro do estado. Vilson Kleinubing, então prefeito de Blumenau pelo PFL, dirigiu-se a Florianópolis com o objetivo de garantir novos recursos para projetos essenciais em sua cidade. A urgência era acentuada pela iminente renúncia de Kleinubing, prevista para abril, a fim de se lançar como candidato ao governo estadual. Ele precisava dar andamento a obras e serviços de seu Plano de Governo, que ainda careciam de financiamento, e, após esgotar outras vias, decidiu buscar auxílio diretamente do governador.
O interlocutor era Casildo Maldaner, do PMDB, que havia assumido o governo de Santa Catarina poucas semanas antes, após o falecimento do governador Pedro Ivo Campos. A situação era peculiar, pois Maldaner fora vice de Pedro Ivo, derrotando o próprio Kleinubing na eleição de 1986. Naquela disputa, Kleinubing, apesar de filiado ao então recém-criado e pequeno PFL, conquistou uma expressiva votação, considerada uma "vitória moral", superando inclusive outro concorrente de seu campo político. Ele venceu em Blumenau, a terceira maior cidade do estado, mas não nas outras quatro grandes cidades, devido à divisão de votos entre PDS e PFL.
O encontro entre o prefeito e o recém-empossado governador, apesar do histórico de rivalidade, foi marcado por cordialidade e respeito mútuo. Maldaner, ainda se acostumando com o novo posto, mostrou-se afável, característica que o acompanharia ao longo de sua trajetória política. Contudo, ao abordar a questão central da reunião – o apoio estadual para obras em Blumenau – o governador apresentou um discurso cauteloso. Ele explicou que os recursos estaduais eram escassos, a arrecadação estava aquém do esperado e havia uma avalanche de pedidos. Comprometer-se com uma prefeitura, especialmente de um partido adversário, abriria um precedente difícil de gerir, dada a necessidade de atender a diversas outras, inclusive de sua própria base partidária.
Apesar da recusa formal aos pedidos de financiamento, o diálogo entre Vilson Kleinubing e Casildo Maldaner transcendeu as barreiras partidárias, evidenciando uma pragmática política em um período de transição para Santa Catarina. Este episódio, mesmo sem o desfecho financeiro desejado para Blumenau naquele momento, sublinha a habilidade dos líderes de construir pontes em meio às disputas, e é parte das histórias que antecederam e pavimentaram as trajetórias de ambos, que viriam a ocupar o cargo máximo do executivo catarinense em diferentes momentos, moldando a cena política do estado por décadas.

