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Em 1989, em Blumenau, no decurso da preparação do novo Plano Diretor e da regularização das edificações fora das regras, detectamos, além dos prédios construídos irregularmente, uma outra questão anômala, esta, de natureza completamente diversa daquelas que foram conscientemente desviadas da lei. O problema agora era a existência de indústrias que o tempo e o desenvolvimento da cidade colocaram em áreas claramente inapropriadas.

Os tradicionais parques industriais de empresas grandes e bastante antigas, como Hering, Artex (àquela altura já com a incorporação da Industrial Garcia), Teka, Cremer, Sulfabril e Eletroaço Altona, construídas muitas décadas antes, tornaram-se, involuntariamente, um problema para a cidade. Devido ao porte dessas instalações, os mais óbvios transtornos eram os ruídos, o trânsito de caminhões por vias urbanas inadequadas para isso, e as emissões pelas suas chaminés.

Na época em que instalaram suas fábricas, os Hering, os Zadrozny e Huber, os Kuehnrich, Schrader e Cremer, Fritzche, Werner e Auerbach, provavelmente não tinham ideia de quanto e como a pacata Blumenau de seus tempos iria crescer até o ponto de seus galpões industriais se verem cercados por uma intensa e populosa vida urbana. O fato é que ali no final dos anos 1980, Blumenau conservava, em meio a seus prédios antigos e modernos, diversas e grandes instalações das suas pujantes fábricas encravadas no meio da já vasta rede viária urbana, de casas residenciais e comerciais e de uma população que ia passando dos 160 mil habitantes.

Pelas novas regras, estabelecidas pela Lei das Obras Irregulares e pelo Plano Diretor, ambos de 1989, elas estavam localizadas em lugares onde era vedada sua presença. Certamente, porém, não havia como obrigá-las a se retirar de onde se localizavam até porque haviam sido formalmente aprovadas e autorizadas pelas autoridades competentes na remota época em que, para alegria da cidade, resolveram fazer aqueles grandes investimentos. Elas tinham o direito adquirido de estarem ali, tanto do ponto de vista jurídico como moral.

Se não era possível removê-las de seu legítimo endereço, alguma outra providência deveria ser tomada. E o lógico é que se enquadrasse o problema, insolúvel para efeitos imediatos, na categoria de uma espécie em extinção, uma ampla exceção à regra que deveria, dali para diante, carregar contingenciamentos que impedissem as empresas de fazer ampliações que agravassem os danos à vida urbana do futuro.

Em 1989 a solução encontrada foi, portanto, “congelar” esses conglomerados industriais de modo a limitá-los ao tamanho e com as características que já tinham. A isso se deu o nome de “Zonas Industriais Fechadas”.

Garantindo o passado e prevenindo o futuro, a estratégia das Zonas Industriais Fechadas em Blumenau. Efeitos congelamento: a restrição a serviço de maior qualidade da vida urbana.