“Fui dormir herói e acordei bandido.” A declaração é do vereador Almir Vieira (PP), durante depoimento na Comissão Processante da Câmara de Vereadores de Blumenau, realizado na segunda-feira (4). O parlamentar é investigado por suspeita de participação em um esquema de “rachadinha”.

A fala ocorreu ao ser questionado sobre as acusações e a condução da investigação. Durante o depoimento, Almir negou irregularidades, afirmou que não teve intenção de cometer qualquer ato ilegal e afirmou que está sendo vítima de perseguição política.

O clima da reunião foi marcado por trocas de críticas entre Almir Vieira e o presidente da comissão.

Ao longo da sessão, o vereador disse que sempre esteve à disposição das investigações e que colaborou com a apuração. Ele afirmou que abriu sigilo bancário e disponibilizou informações pessoais para esclarecer os fatos.

Almir também sustentou que está sendo alvo de perseguição política. Segundo ele, os problemas começaram após assumir a presidência da Câmara, quando identificou falhas administrativas relacionadas à gestão anterior.

“Eu jamais tive vontade de fazer qualquer ato dessa forma. Sou pai de família”, afirmou durante o depoimento.

O vereador também questionou a rapidez do processo na Câmara, alegando que ainda não há comprovação das acusações.

Durante a investigação, cerca de R$ 30 mil em dinheiro foram encontrados na casa do parlamentar. Questionado sobre o valor, Almir afirmou que o montante é resultado de eventos gastronômicos organizados por ele.

Segundo o vereador, ele promove feijoadas, risotos e macarronadas para centenas de pessoas e mantém dinheiro em espécie para compra de insumos.

Ele também afirmou que os valores estão declarados no imposto de renda.

O vereador é investigado pela Polícia Civil em uma operação deflagrada no dia 3 de fevereiro deste ano. A apuração é conduzida pela Delegacia de Investigações Criminais (DIC) e pela Delegacia de Combate ao Crime Organizado.

Segundo a investigação, o esquema pode ter envolvido servidores indicados politicamente.

Durante a operação, foram apreendidos celulares, computadores, contratos e documentos. Parte do material já está em análise.

Também houve conduções em flagrante durante a ação, incluindo por posse de munição e dinheiro em espécie.

A investigação segue em andamento e depende da análise completa dos materiais apreendidos.

A partir disso, será possível avançar na apuração e definir os próximos encaminhamentos do caso.

No dia 11 de fevereiro, a Justiça determinou o afastamento de Almir Vieira do cargo por 180 dias.

A Comissão Processante que analisa o caso é formada pelos vereadores Egídio Beckhauser (presidente), Jean Volpato (relator) e Bruno Cunha (membro).

Durante a sessão, testemunhas de defesa afirmaram que nunca foram obrigadas a repassar parte dos salários ao vereador.

A defesa do vereador Almir Vieira tem prazo para apresentar as alegações por escrito. Após essa etapa, os três membros da comissão irão analisar o material e definir um posicionamento para o relatório final.

O documento será elaborado pelo relator Jean Volpato (PT), que poderá recomendar a cassação do mandato por quebra de decoro parlamentar. Nesse caso, o parecer segue para votação em plenário, onde todos os vereadores decidem. Para a cassação, são necessários votos favoráveis de dois terços da Câmara, o equivalente a 10 parlamentares.

A comissão também pode optar pelo arquivamento do processo.