Voltando do clube, me peguei olhando para as janelas do Grande Hotel. Mais um andar. Semana após semana, as esquadrias sobem. E junto com ele, uma pergunta que não me larga: a cidade está crescendo na mesma velocidade?
Nos últimos anos, Blumenau melhorou bastante sua oferta hoteleira, em quantidade e qualidade. O Villa do Vale e o Quality chegaram em 2018 e 2019. O Caiuá veio do Paraná em 2023. O Villano Hotel abriu em 2025. A rede tradicional, Glória, Himmelblau, Plaza, Slaviero, Ibis, segue com atualizações pontuais. O Hotel Franco reabriu no endereço onde funcionavam o Mansiones e o Europa. E o Airbnb segue multiplicando lofts e ainda temos pousadas por toda a cidade.
No horizonte, ainda temos a volta do Grande Hotel, o Novotel Casa Royal, o Housi, modelo de moradia por assinatura próximo à Vila Germânica. Pomerode ainda não tem um hotel de grande porte, mas terá. É muita oferta. Boa oferta. Mas oferta para quem?
Aqui mora o problema. A iniciativa privada está fazendo sua parte, com investimento real, risco real. A pergunta é se o poder público vai acompanhar esse ritmo, ou se vamos construir uma hotelaria de primeira linha para uma demanda que ainda não chegou.
Blumenau não pode continuar dependendo da Oktoberfest e da Febratex para encher seus quartos. Páscoa, Natal, Sommerfest, Festival da Cerveja, o novo projeto Na Vila são eventos bem pensados, mas atraem, em sua maioria, o público local e regional. Quem vem, consome e volta para casa no mesmo dia. A rede hoteleira não vive de visitante. Vive de hóspede. De quem fica, janta na cidade, usa o serviço, movimenta a economia por dois ou três dias seguidos.
Há movimentos positivos. O Convention Bureau está mais ativo, com ideias novas. A criação da Blumenau Eventos neste ano foi uma decisão inteligente: ao separar a organização de festas da Secretaria de Turismo, a Secretaria pode finalmente focar no que é seu papel, planejar e promover o destino. Mas essas frentes rendem resultado a médio e longo prazo.
O que Blumenau precisa agora, com urgência, é de um Centro de Convenções. Não é ideia nova. Mas é a peça que falta. Sem ele, a cidade não compete por congressos, feiras profissionais, eventos corporativos, exatamente o tipo de público que fica de segunda a quinta, que pernoita, que volta no trimestre seguinte. O turismo de negócios e eventos é o que alimenta a hotelaria ao longo do ano todo, não só em outubro.
Sei que o Estado tem seu tempo e sua burocracia. Mas a iniciativa privada não pode ficar esperando indefinidamente. Novos hotéis estão sendo construídos. Novos modelos de hospedagem chegam à cidade. O investimento privado não para. Agora é hora do poder público acelerar junto, ou vamos ter uma das melhores redes hoteleiras do interior catarinense funcionando abaixo de sua capacidade.

