A Comissão de Educação e Saúde Pública da Câmara Municipal de Blumenau realizou uma reunião extraordinária focada em um dos problemas mais urgentes da cidade: as extensas filas de espera por consultas, exames e cirurgias pediátricas na rede pública de saúde. O encontro atendeu a um apelo dos Conselhos Tutelares, que apresentaram um ofício relatando a dificuldade enfrentada por crianças e adolescentes no acesso a serviços médicos essenciais.
Durante a discussão, o Secretário Municipal de Promoção da Saúde, Marcelo Lanzarin, detalhou uma série de iniciativas destinadas a desafogar a demanda reprimida e ampliar a capacidade de atendimento. Entre as novidades está a expansão do serviço de neuropediatria, que agora conta com 200 vagas mensais através de um consórcio intermunicipal de saúde, com consultas já em andamento. Na área de psicologia e fonoaudiologia, a capacidade das clínicas credenciadas foi ampliada em 1.500 atendimentos mensais, totalizando cerca de 4 mil procedimentos por mês.
Outras estratégias apresentadas incluem a elaboração de um novo edital para credenciar mais clínicas privadas e a implementação de teleconsultas em especialidades de difícil acesso, como neuropediatria e endocrinopediatria. A expectativa é que essa modalidade, que permitirá o atendimento por profissionais de outras regiões do país, esteja disponível em aproximadamente 60 dias. A prefeitura também está buscando expandir o atendimento em endocrinopediatria via consórcio e avalia a adesão a outros convênios especializados.
No que diz respeito às cirurgias, especialmente as de otorrinolaringologia, os procedimentos já foram iniciados no Hospital da FURB, e há planos para ampliar a oferta no Hospital da Vila Itoupava. A partir do próximo mês, espera-se que o Hospital de Gaspar também passe a realizar cirurgias dessa especialidade. Apesar desses esforços, o secretário estima que, com a estrutura atual, a demanda acumulada levará cerca de um ano e meio para ser atendida, um prazo que pode ser encurtado com o aumento da oferta. Representantes dos Conselhos Tutelares pediram maior clareza sobre os dados das filas e a criação de um canal de comunicação mais efetivo, enquanto os vereadores se comprometeram a monitorar de perto a implementação das medidas.

